O cheiro da praça de alimentação. Um monte de cheiros. Achei o ambiente horrível. Cheiro de coisa podre, todos estavam podres, eu estava podre. Parei numa loja que vende relógios e fiquei olhando os relógios da vitrine. O tempo. Uma moça me tirou, de repente, daquele estado de contemplação do nada e perguntou atrás de mim:
- A saída é por ali? Eu me perdi...
- É...
Eu disse apontando. E aquela fala da moça não saiu mais da minha cabeça.
Peguei o ônibus para voltar para casa. Queria chegar logo e telefonar. Precisava conversar, mas nem sei se ele é a melhor pessoa para falar sobre o que (eu nem sei dizer) sentia, porque ás vezes ele é sincero demais e não fala o que preciso ouvir, não fala sobre o que é importante, sobre o que eu esqueci. Ele não viveu.